Quem pensa sou eu.

Quem pensa sou eu.

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(Texto retirado do livro Jornada da Mente.)

🗓 Publicado em 15/08/2026
✍️ Por Pe. José Vidalvino
📘 Psicoterapeuta E Criador Do Método Da Cura Da Criança Interior


Quem pensa sou eu.

Quem pensa sou eu.

Antes de tudo, é preciso aceitar uma das verdades mais difíceis sobre a nossa existência: quem pensa sou eu. Essa afirmação parece simples, mas carrega uma responsabilidade enorme. Muitas vezes procuramos explicações para nossa maneira de agir nas circunstâncias, nas pessoas ou na história que vivemos. No entanto, existe um fato que não pode ser ignorado: ninguém pensa em meu lugar. Ninguém pode entrar em minha mente para criar um pensamento, tomar uma decisão ou interpretar a realidade por mim. Posso ser influenciado, ensinado, aconselhado ou até manipulado em determinados momentos, mas, no instante em que um pensamento acontece dentro da minha mente, é a minha mente que está pensando. Sou eu quem pensa.

Essa verdade permanece válida mesmo quando reconhecemos que fomos influenciados pela educação que recebemos, pela família, pela cultura, pelas experiências da infância ou pelas pessoas que passaram por nossa vida. Tudo isso contribui para formar a maneira como enxergamos o mundo, mas não elimina o fato de que é a nossa mente que produz os pensamentos. As influências podem moldar nossas crenças e criar determinados padrões mentais, porém elas não substituem a nossa capacidade de pensar. Em algum momento, aquilo que aprendemos passou a fazer parte da nossa própria estrutura mental. Hoje, quem está produzindo esses pensamentos não são mais as pessoas que nos influenciaram; somos nós mesmos.

Pensamos o tempo todo. Mesmo quando estamos em silêncio, a mente continua trabalhando sem descanso. Estudos estimam que produzimos entre sessenta e setenta mil pensamentos por dia. A maioria deles acontece de forma automática, sem que percebamos conscientemente. Enquanto conversamos, trabalhamos, caminhamos ou descansamos, existe uma atividade mental constante interpretando tudo o que acontece ao nosso redor. O fato de não estarmos atentos a esses pensamentos não significa que eles deixem de existir. Eles continuam sendo produzidos pela nossa mente, influenciando nossas emoções, nossas escolhas e nossos comportamentos.

É justamente aqui que muitas pessoas se confundem. Como não têm consciência da maior parte daquilo que pensam, acabam acreditando que seus pensamentos simplesmente aparecem ou que são provocados exclusivamente pelas circunstâncias externas. Entretanto, a ausência de consciência não elimina a autoria. Um pensamento inconsciente continua sendo um pensamento produzido pela nossa mente. O cérebro pode funcionar de maneira automática em muitos momentos, mas continua sendo o nosso cérebro. A mente pode repetir padrões antigos, mas continua sendo a nossa mente. Portanto, quem pensa continua sendo a mesma pessoa: eu.

Essa compreensão muda completamente a forma como enxergamos a responsabilidade pela nossa vida. Se quem pensa sou eu, então preciso começar a observar o que estou pensando. Preciso perceber quais ideias alimento diariamente, quais crenças conduzem minhas decisões e quais interpretações faço dos acontecimentos. Não posso controlar tudo o que acontece ao meu redor, mas posso desenvolver consciência sobre aquilo que acontece dentro de mim. É nesse espaço interior que começa toda transformação verdadeira.

Talvez essa seja uma das razões pelas quais tantas pessoas permanecem presas aos mesmos resultados durante anos. Elas tentam mudar a realidade sem mudar a forma de pensar. Mudam de cidade, de trabalho, de relacionamento e de objetivos, mas levam consigo a mesma maneira de interpretar a vida. Enquanto os pensamentos permanecem iguais, os comportamentos tendem a se repetir, e os resultados seguem o mesmo padrão. A mudança exterior sempre será limitada quando não existir uma transformação interior.

Por isso, reconhecer que quem pensa sou eu não é motivo de culpa, mas de liberdade. Essa verdade devolve para nossas mãos o poder de participar conscientemente da construção da nossa história. Se fui eu quem aprendeu determinados padrões de pensamento, também sou eu quem pode transformá-los. Se hoje sou eu quem pensa, também posso escolher prestar atenção aos meus pensamentos, questioná-los, renová-los e direcioná-los para aquilo que produz vida, crescimento e esperança. É exatamente nesse momento que o livre-arbítrio deixa de ser apenas um conceito e passa a se tornar uma experiência concreta na vida de cada pessoa.

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