Deixe ir o velho eu

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Deixe ir o velho eu

Deixe ir o velho eu

Deixe ir o velho eu.
Deixe que ele vá.
É preciso morrer para renascer de novo.
Se não morremos para nós mesmos, não seremos novos de novo.
Deixe-o partir, para que o eu novo possa nascer e florescer, livre das velhas crenças que te amarram e te prendem.

Deixe ir o velho eu.
Deixe que ele vá.
Hoje, fazemos silêncio para honrar sua partida.
Ele chegou até aqui, caminhou com você por dias escuros e manhãs douradas.
Foi abrigo, foi prisão. Foi tudo o que pôde ser.

O velho eu conheceu a dor e tentou te proteger como soube.
Com suas crenças, medos e defesas, tentou manter você em pé, mesmo quando tudo ao redor desmoronava.
Fez o que pôde com o que tinha.
E por isso, agora, merece descanso.

É estranho se despedir de quem tanto te sustentou.
Mesmo que tenha sido com rigidez, com controle, com dor…
Ele te segurou quando ninguém mais segurava.
Mas já não é mais necessário.

Chegou a hora de abrir espaço.
Espaço para o novo que ainda não tem forma, mas já sussurra.
O novo precisa de silêncio para brotar.
E o velho precisa de amor para partir.

Não resista à dor da despedida.
Ela é sagrada.
Toda morte traz em si um portal de renascimento.
E esse luto é fértil.

Chore se for preciso.
Sinta o peso da ausência do que era conhecido.
Mas não volte atrás.
Não reviva o que precisa morrer.

Agradeça ao velho eu.
Abrace-o em seu último adeus.
Ele não foi um inimigo.
Foi um mestre disfarçado de proteção.

Agora, que ele se vá.
Com cada crença que não serve mais.
Com cada medo que já não combina com a sua coragem.
Com cada padrão que te mantinha em círculos.

Enterre-o com honra.
Com flores, com oração, com um canto suave de liberdade.
Deixe que a terra o acolha e o transforme em raiz para algo novo.
Não há culpa na mudança. Há sabedoria.

E enquanto ele parte, você renasce.
Não todo de uma vez, não sem tropeços.
Mas renasce.
Com um olhar que começa a ver além.

É tempo de silêncio interior.
De escutar o que emerge das profundezas.
De se acostumar com a leveza.
Mesmo que ela assuste no início.

Respire.
O velho eu cumpriu seu propósito.
Agora você caminha com mais verdade.
Mesmo que ainda sem saber para onde.

Permita que vá.
Deixe ir com gratidão.
A vida não retrocede.
Ela dança, ela espirala, ela se transforma.

Neste velório sutil do seu antigo ser,
há luz acesa nas sombras.
Há amor onde antes havia medo.
E há você… inteiro…
Pela primeira vez.

Pe. José Vidalvino Fontanela da Silva

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Marli Celinga
Marli Celinga
7 meses atrás

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