Enquanto sua mãe estiver aqui, aproveite cada momento

Enquanto sua mãe estiver aqui, aproveite cada momento

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🗓 Publicado em 18/09/2026
✍️ Por Pe. José Vidalvino
📘 Psicoterapeuta E Criador Do Método Da Cura Da Criança Interior


Enquanto sua mãe estiver aqui, aproveite cada momento

Introdução

Hoje, nos seis anos da morte de minha mãe, me dirijo a você para fazer uma reflexão sobre algo que, depois da perda, passei a compreender de uma maneira muito mais profunda: a importância de aproveitar a mãe enquanto ela está conosco. A vida é feita de encontros, abraços, conversas, silêncios compartilhados, pequenas demonstrações de carinho e momentos que, muitas vezes, parecem tão comuns que não percebemos o quanto são preciosos. Quando temos nossa mãe por perto, podemos imaginar que teremos tempo suficiente para dizer tudo o que sentimos, fazer aquela visita que estamos adiando, retornar uma ligação ou simplesmente sentar ao seu lado. Porém, a vida não nos garante o amanhã. O tempo segue seu curso, as circunstâncias mudam e, algumas vezes, somos surpreendidos por uma despedida para a qual nunca estaremos verdadeiramente preparados. Foi somente depois de perder minha mãe que percebi ainda mais claramente o valor de determinadas coisas que antes pareciam simples. Um abraço que não dei, uma conversa que poderia ter prolongado, uma visita que ficou para depois e tantas outras pequenas oportunidades que hoje vivem na memória. Não escrevo isso para provocar culpa em quem lê, mas para despertar consciência. Enquanto existe presença, existe oportunidade. Enquanto podemos abraçar, podemos abraçar. Enquanto podemos dizer “eu te amo”, podemos dizer. Enquanto podemos cuidar, podemos cuidar.

A morte de uma mãe representa uma perda muito grande porque ela ocupa um lugar singular em nossa história. Independentemente da maneira como foi nossa relação com ela, existe algo profundamente significativo nessa presença que acompanhou parte de nossa caminhada. A mãe está ligada às nossas primeiras lembranças, à nossa formação, aos momentos de infância, às experiências familiares e a uma parte da história que não pode ser repetida. Quando ela parte, não sentimos apenas a falta de uma pessoa; sentimos a falta de uma presença que fazia parte do nosso cotidiano e da nossa própria trajetória. A saudade aparece nas datas especiais, nas fotografias, nas músicas, nos lugares, nos cheiros, nas lembranças e, principalmente, nos momentos em que gostaríamos de compartilhar alguma coisa com ela. Às vezes, acontece algo bom e surge imediatamente a vontade de contar. Em outras ocasiões, enfrentamos uma dificuldade e desejamos ouvir aquela voz conhecida, receber aquele conselho ou simplesmente sentir aquele abraço. É nesse instante que compreendemos que determinadas ausências não são preenchidas. Aprendemos a conviver com elas, aprendemos a seguir em frente, mas não deixamos de sentir. A saudade pode mudar de forma ao longo dos anos, mas o amor permanece.

Por isso, esta reflexão é também um convite para quem ainda tem a oportunidade de conviver com sua mãe. Não espere perdê-la para compreender o tamanho de sua presença. Não deixe que a rotina transforme o amor em algo automático, nem permita que pequenas mágoas ocupem o espaço que poderia ser preenchido pelo carinho. A mãe também envelhece, também precisa de atenção, também enfrenta suas próprias fragilidades e também precisa sentir que é amada. Aproveitar a mãe não significa estar ao lado dela o tempo inteiro ou viver uma relação perfeita. Significa reconhecer seu valor enquanto ela está presente e fazer o possível para construir memórias que, no futuro, possam trazer paz em vez de arrependimento. Ligue, visite, converse, pergunte como ela está, escute suas histórias, conheça suas preocupações, compartilhe suas conquistas. E, acima de tudo, cuide dela. Porque chegará um momento em que talvez você queira fazer tudo isso novamente, mas não poderá. O amor pode continuar existindo depois da partida, mas a presença física é um presente que só podemos experimentar enquanto a pessoa está conosco.

1 — O tempo ao lado da mãe é um presente

Existe uma característica do ser humano que muitas vezes nos impede de valorizar aquilo que temos: acostumamo-nos com a presença. Quando alguém está diariamente ao nosso lado, sua existência passa a fazer parte da paisagem da nossa vida. A presença daquela pessoa parece tão natural que deixamos de perceber sua importância. Isso pode acontecer com a mãe. Sabemos que ela está ali, sabemos que podemos telefonar, sabemos que podemos visitá-la e, por isso, adiamos. “Depois eu ligo.” “Outro dia eu vou visitá-la.” “Quando estiver menos ocupado, passo um tempo com ela.” O problema é que a vida não funciona de acordo com nossos planos. O tempo não espera que terminemos nossas tarefas, resolvamos nossos problemas ou encontremos o momento perfeito. Os dias passam independentemente de nossa vontade. Enquanto estamos preocupados com tantas coisas, nossa mãe também está vivendo sua própria passagem pelo tempo. Ela envelhece, muda, enfrenta desafios e, silenciosamente, também percebe que a vida está passando. Por isso, valorizar sua presença significa compreender que o tempo compartilhado não é infinito.

Talvez um dos maiores erros que cometemos seja acreditar que grandes demonstrações são necessárias para provar nosso amor. Na verdade, muitas vezes são as pequenas atitudes que permanecem na memória. Uma ligação inesperada, uma mensagem perguntando se está tudo bem, um café tomado juntos, uma caminhada, uma conversa na cozinha, uma visita sem motivo especial, um abraço demorado ou simplesmente alguns minutos de atenção verdadeira podem significar muito. A mãe talvez não precise de grandes presentes; muitas vezes, precisa apenas sentir que ainda existe espaço para ela na nossa vida. À medida que crescemos, construímos nossas próprias responsabilidades, famílias, trabalhos e preocupações. Isso é natural. Porém, não podemos permitir que nossa vida fique tão cheia a ponto de não haver mais tempo para quem esteve presente em nossa formação. O amor também precisa de presença. Não basta sentir carinho internamente se nunca o transformamos em atitudes. Há sentimentos que precisam ser expressos enquanto existe oportunidade.

Cuidar da mãe também significa prestar atenção à sua saúde. Incentivar consultas médicas, exames preventivos, alimentação equilibrada, atividade física adequada, descanso e cuidados emocionais pode ser uma demonstração concreta de amor. Muitas mães passaram grande parte da vida cuidando dos filhos e colocando suas próprias necessidades em segundo plano. Quando envelhecem, podem precisar ainda mais de apoio e companhia. Estar atento não significa controlar sua vida, mas caminhar ao seu lado, respeitar sua autonomia e oferecer ajuda quando necessário. Às vezes, uma simples pergunta como “mãe, você está se cuidando?” pode abrir espaço para uma conversa importante. Cuidar da saúde de quem amamos é também reconhecer que queremos ter essa pessoa conosco pelo maior tempo possível. Não temos controle sobre todas as circunstâncias da vida, mas podemos escolher estar presentes, demonstrar amor e fazer nossa parte enquanto temos essa oportunidade.

2 — A dor da ausência e o tamanho da saudade

Quando uma mãe parte, existe uma mudança que nenhuma palavra consegue explicar completamente. A casa pode continuar existindo, os objetos permanecem em seus lugares, as fotografias continuam nas paredes e a vida das outras pessoas segue seu curso. Mas alguma coisa mudou. Existe uma ausência que passa a ocupar espaços que antes eram preenchidos pela presença. A saudade pode aparecer de maneira silenciosa ou chegar de repente, provocada por uma lembrança aparentemente pequena. Uma fotografia pode trazer lágrimas. Uma música pode transportar alguém para muitos anos atrás. Uma comida pode lembrar um momento vivido juntos. Uma data pode fazer o coração apertar. E, talvez, uma das partes mais difíceis seja perceber que não existe mais a possibilidade de criar uma nova lembrança presencial. Podemos revisitar as que já existem, mas não podemos voltar no tempo para viver novamente aquele abraço, aquela conversa ou aquele encontro. É por isso que a perda de uma mãe pode ser tão dolorosa: não perdemos apenas o presente; perdemos também a possibilidade de construir novos momentos com ela.

Seis anos depois da partida de minha mãe, compreendo que o tempo não apaga necessariamente a saudade. Ele nos ensina, pouco a pouco, a carregá-la de outra maneira. No início, talvez a dor esteja mais evidente. Depois, aprendemos a conviver com a ausência e conseguimos sorrir ao lembrar de determinados momentos. Isso não significa que esquecemos. Pelo contrário, significa que a memória começa a ocupar um lugar diferente dentro de nós. A saudade deixa de ser apenas sofrimento e passa também a ser uma forma de manter vivo aquilo que foi importante. A pessoa que partiu continua presente naquilo que ensinou, nas histórias que deixou, nos valores que transmitiu, nas características que reconhecemos em nós mesmos e nas lembranças que compartilhamos com outras pessoas. O amor não desaparece quando alguém morre. Ele muda de forma. Antes, podíamos demonstrá-lo por meio de um abraço; depois, passamos a expressá-lo por meio da memória, da gratidão e da maneira como continuamos nossa caminhada levando conosco aquilo que recebemos.

Mas talvez a saudade de quem já partiu possa nos ensinar algo importante sobre aqueles que ainda estão aqui. Quando sentimos falta de alguém, percebemos o valor que aquela pessoa tinha. Essa percepção pode se transformar em consciência para nossas relações atuais. Se existe uma mãe viva esperando uma ligação, por que não ligar? Se existe uma mãe esperando uma visita, por que adiar? Se existe uma conversa pendente, por que deixar para depois? Não precisamos esperar uma perda para reconhecer o valor de uma presença. A saudade pode nos ensinar a cuidar melhor enquanto ainda existe tempo. Pode nos ensinar que pedir perdão é importante, que dizer “eu amo você” não deve ser motivo de vergonha e que o orgulho não pode ser maior do que o amor. A vida é curta demais para desperdiçarmos oportunidades de demonstrar carinho. Algumas discussões serão esquecidas, algumas preocupações perderão importância, algumas dificuldades serão superadas, mas uma oportunidade perdida de estar ao lado de quem amamos pode nunca mais voltar.

3 — Amar também é cuidar enquanto há tempo

Falar sobre aproveitar a mãe não significa romantizar todas as relações entre mães e filhos. Cada família possui sua história, suas dificuldades, seus conflitos e suas particularidades. Existem relações marcadas por distanciamento, mágoas e experiências difíceis que não podem simplesmente ser ignoradas. Ainda assim, quando existe uma relação possível e saudável, vale a pena cultivar o vínculo, respeitando limites e reconhecendo que o tempo é precioso. Amar não significa aceitar tudo ou deixar de estabelecer limites. Amar também pode significar conversar com sinceridade, perdoar quando for possível, pedir perdão quando necessário e procurar construir uma relação baseada em respeito. O mais importante é não deixar que aquilo que pode ser resolvido hoje seja carregado indefinidamente para um amanhã que talvez não chegue. A vida nos oferece oportunidades de reconstrução, e muitas delas começam com uma atitude simples: aproximar-se.

Cuidar também é estar atento à saúde da mãe. Muitas vezes, os filhos percebem mudanças no comportamento, no corpo ou na disposição, mas acreditam que é apenas consequência da idade ou da rotina. Por isso, acompanhar, incentivar cuidados preventivos e oferecer apoio pode fazer diferença. Saúde não envolve apenas consultas e exames; envolve também qualidade de vida, alimentação, movimento, descanso, convivência social, afeto e saúde emocional. Uma mãe precisa sentir que não está sozinha diante das dificuldades. E esse cuidado não precisa ser uma obrigação pesada. Pode ser construído em pequenos gestos: acompanhá-la em uma consulta, ajudá-la a organizar alguma coisa, preparar uma refeição, caminhar juntos, conversar ou simplesmente perguntar como ela está se sentindo. Talvez ela diga que está tudo bem. Talvez diga que precisa de ajuda. O importante é que ela saiba que existe alguém disposto a ouvir. A presença é uma das formas mais profundas de cuidado.

Quando penso na minha mãe, percebo que aquilo que permanece não são apenas os momentos extraordinários, mas também as pequenas coisas que fizeram parte de nossa convivência. São essas lembranças que ganham um valor diferente depois da perda. Por isso, gostaria que esta reflexão chegasse especialmente àqueles que ainda podem abraçar suas mães. Não espere uma doença, uma data comemorativa ou uma situação de despedida para demonstrar aquilo que sente. Aproveite o café, a conversa, a visita, a ligação e até mesmo os momentos simples em que aparentemente nada de especial está acontecendo. São justamente esses momentos comuns que, no futuro, podem se transformar em lembranças extraordinárias. Tire fotografias. Grave histórias. Pergunte sobre a infância dela. Conheça seus sonhos, suas dificuldades e suas lembranças. Diga que a ama. Porque um dia, quando a presença se transformar em saudade, serão essas pequenas memórias que ocuparão um espaço enorme dentro do coração.

Conclusão — Não espere a saudade para reconhecer o amor

Hoje, seis anos depois da morte de minha mãe, posso dizer que a saudade continua sendo uma presença em minha vida. Existem dias em que ela aparece de maneira tranquila, trazendo lembranças que me fazem sorrir; existem outros em que a ausência pesa mais e o coração sente falta daquela presença que não pode mais voltar. Mas, com o passar do tempo, também compreendi que a saudade carrega uma mensagem: ela mostra o valor daquilo que vivemos. Sentimos falta porque houve amor, porque houve história, porque aquela pessoa ocupou um lugar importante em nossa caminhada. E, embora não possamos voltar ao passado, podemos permitir que essa experiência transforme a maneira como vivemos o presente. A ausência da minha mãe me ensinou que aquilo que muitas vezes consideramos garantido é, na verdade, um presente. Ter alguém que amamos por perto é uma oportunidade diária de construir memórias, demonstrar carinho e compartilhar a vida.

Por isso, se sua mãe está ao seu lado, não espere perdê-la para perceber sua importância. Aproveite enquanto há tempo. Cuide de sua saúde, esteja atento às suas necessidades, acompanhe seus passos e demonstre seu amor. Não permita que a correria da vida faça você esquecer quem esteve presente quando você ainda estava aprendendo a caminhar. Talvez você não possa resolver todos os problemas dela, talvez não consiga estar presente todos os dias e talvez existam diferenças entre vocês. Mas, dentro das suas possibilidades, faça o que puder para que ela saiba que é importante. O amor não precisa ser perfeito para ser verdadeiro. Ele precisa ser vivido. Uma ligação pode parecer pequena hoje, mas amanhã pode ser uma das lembranças mais importantes. Um abraço de alguns segundos pode permanecer no coração por décadas. Uma conversa simples pode se transformar em uma memória para toda a vida.

Minha mãe partiu há seis anos, e eu não posso mais fazer aquilo que hoje gostaria de fazer: abraçá-la, conversar com ela, perguntar como está, ouvir sua voz e dizer pessoalmente o quanto ela é importante para mim. Posso, porém, transformar a saudade em uma mensagem para quem ainda tem essa oportunidade. Se sua mãe está viva, ame-a enquanto ela está aqui. Cuide dela enquanto você pode. Perdoe o que puder ser perdoado, diga o que precisa ser dito e não deixe para amanhã os gestos de carinho que podem ser realizados hoje. Porque a vida passa, o tempo não volta e algumas despedidas são definitivas. Quando a mãe parte, fica uma grande falta, uma dor profunda e uma saudade que pode nos acompanhar por toda a vida. Mas, enquanto ela está conosco, existe um presente precioso diante de nós: a oportunidade de amar, cuidar, abraçar e simplesmente estar presente. E talvez essa seja uma das maiores lições que a saudade pode nos ensinar: não espere a ausência para reconhecer o valor de uma presença.

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